02/10/2016

Florbela, a irmã do sonho - peça de teatro inspirada na vida e na obra da autora de "Charneca em flor" (1931)

[clique sobre a legenda abaixo]
d’Odette Branco, d’après l’œuvre poétique de Florbela Espanca.

Traduction et adaptation des poèmes: Horácio Ernesto André.


Au Théo théâtre, Paris
Avec Ségolène Point, Corinne Menant, Laura St James, François Le Roux et Thomas Baignères.

Musique de Bruno Belthoise.

Pièce de théâtre parue chez Orfeu livraria Bruxelles.

«Florbela, la sœur du rêve » est constituée de trois temps, chacun approfondissant, le temps d’un soir, les derniers instants de la vie de la poétesse.
Une structure musicale met en scène des dialogues entre le personnage Florbela et ses fantômes du passé, qui ressurgissent dans ses derniers instants, l’entrainant dans une valse folle qui la mènera au suicide, puisqu’elle ne parviendra pas à surmonter la douleur de ses deuils, ni ses relations sentimentales.
Elle nous apparaît grandiose, comme une femme qui fait corps avec sa poésie, sans faille, résultat d’une éducation érudite. 
Ainsi, ses mots et ses vers ont pu traverser les presque 83 ans depuis sa mort, sans prendre une ride. 
Progressivement, dans « Florbela, la sœur du rêve » apparaît une femme fragile. Comme pour les divas du cinéma la part d’ombre est aussi vaste que la zone de lumière. Derrière ce mythe se cache un grand désespoir qui fait la belle poésie." - Fonte: texto que acompanha o excerto no Youtube.



Bruno Belthoise - "Florbela theme"

musique pour "Florbela, la sœur du rêve" (2016) de Odette Brancono Youtube.

Bruno Belthoise - "Voar ao longe" / "Voler trop loin"
musique pour "Florbela, la sœur du rêve" (2016) de Odette Brancono Youtube.

Sonhar com as palavras de Florbela Espanca em palco, através das vozes de Odette e Cristina Branco

Poesia de Florbela Espanca vai tomar os palcos das associações portuguesas em França

Unidas pela vontade de divulgar a poesia de Florbela Espanca em França, Odette Branco e Cristina Branco querem dar "uma lufada de ar fresco" aos palcos das associações portuguesas em França.


As duas irmãs querem levar às associações portuguesas sessões de leitura teatralizada para dar a conhecer a poesia de Florbela Espanca (1894-1930) e os livros que elas próprias escreveram inspiradas na poetisa portuguesa.

"Consideramos que fizemos essa tentativa de dar uma lufada de ar fresco porque no início do projeto disseram-nos que era impossível, que a poesia estava morta, que na comunidade portuguesa não se vendia", disse à Lusa Odette Branco, autora da peça de teatro "Florbela, La Soeur du Rêve".

A autora, que fundou a companhia de teatro "L'Art des Mots..." em 2013, quer dar a conhecer Florbela Espanca em Paris, especialmente junto da comunidade portuguesa, através das sessões de leitura teatralizada concebidas com a irmã.

"Gostaríamos que a poesia portuguesa no feminino tivesse mais vozes e mais apoios, que deixasse de ser vista como um produto elitista. Oitenta anos após a morte de Florbela Espanca, ela continua a deixar uma marca, mas aqui não é conhecida", continuou Cristina Branco.

Nesse sentido, as autoras imaginaram leituras "como num salão literário", com "representações intercaladas" entre a peça "Florbela, La Soeur du Rêve", de Odette, e o livro de prosa poética "Quand Vous Lirez Ces Mots", de Cristina, ambas as obras publicadas este ano.

"Os nossos trabalhos podem ser visuais, há uma ponte com o teatro. O teatro torna o projeto mais humanizado, mais cativante e permite atingir um público mais vasto", continuou Odette Branco.

"Florbela, La Soeur du Rêve" é uma peça de teatro em três atos que "imagina como teria sido a última 'soirée' em que Florbela se suicida", explicou a autora, enquanto "Quand Vous Lirez Ces Mots" é uma "palete do desencanto" na forma de cartas de amor, descreveu Cristina, acrescentando que o monólogo deverá ser transformado em curta-metragem.

Odette e Cristina Branco nasceram em França, estudaram em Portugal e regressaram a Paris onde "trabalham durante o dia e escrevem durante a noite", tendo Odette publicado em 2010 o primeiro romance "O Canto das Sereias".

"Florbela, La Soeur du Rêve" (edições Orfeu) e "Quand Vous Lirez Ces Mots" (Éditions Lanore) foram publicadas este ano e já foram levadas a palco em maio, em Paris, no Théo théâtre, com as autoras a planearem novas apresentações a partir de janeiro de 2017.

A Livraria Portuguesa e Brasileira de Paris, "a última livraria portuguesa em França e um dinossauro"- nas palavras do seu proprietário Michel Chandeigne - também foi palco de uma sessão de leitura teatralizada esta quinta-feira.






Cristina Branco - Quand vous lirez ces mots
Paris: Lanore, 2015.

"Une femme écrit à un homme. Dans un Paris moderne ce couple hors son temps se rencontre et se sépare au fil des mots et des étreintes de cette passion perçue à travers les lettres de la femme."




Odette Branco - Florbela, la Soeur du rêve: pièce de thèâtre en 3 temps.
Traduction et adaptation des poèmes par Horácio Ernesto André.

13/08/2016

PERDIDAMENTE FLORBELA (2012) do realizador Vicente Alves do Ó




Perdidamente Florbela, episódio 1
in Youtube.

Perdidamente Florbela, episódio 2
in Youtube.

Perdidamente Florbela, episódio 3
in Youtube.



A série de três episódios intitulada Perdidamente Florbela (Portugal, 2012) de Vicente Alves do Ó  foi transmitida a partir de 26 de dez. 2012 na RTP1, às 22h25m.

Trata-se de uma versão mais longa para televisão do filme Florbela (2012),  do mesmo realizador. O filme teve antestreia no Cinema São Jorge, a 22 de fevereiro, e nas sala de cinema portuguesas a 8 de março.

Quer o filme quer a minissérie configuram o "drama biográfico"  da poetisa calipolense Florbela Espanca (1894-1930) - a série abrange toda a vida de Florbela, o filme centra-se em quatro dias da sua vida, nos anos 20 - e são protagonizados por Dalila Carmo, Ivo Canelas e Albano Jerónimo. 



Sinopse de "Perdidamente Florbela":


"O retrato íntimo de Florbela Espanca. A história de uma mulher apaixonada e que apaixonou.


Florbela Espanca é um dos vultos mais importantes da poesia portuguesa do século XX. A sua história pode ser contada com ou sem escândalo, ou fascinação pelo escândalo, mas será sempre a história de uma mulher apaixonada e que apaixonou. Reinventou o conceito de ser poeta, hoje em dia indissociável da música dos TRovante que todos sabemos de cor, “E dizê-lo a toda a gente”. Esta série é o retrato íntimo de Florbela: Uma vida cheia de sofrimento, mas uma poesia que se eternizou pelo seu encanto nunca longe da sensualidade." - in site da RTP.

Para saber mais


26/07/2016

OS MONUMENTOS A FLORBELA



Uma recente viagem a Vila Viçosa permitiu visitar alguns lugares da vida de Florbela Espanca. A vila é formosa e espantosamente rica em património arquitectónico, museológico e bibliográfico, merecendo ser revisitada.
Dos muitos registos fotográficos – outros na memória afetiva! – que foi necessário catalogar, notei que não me lembrava nem do autor nem da data do realmente muito belo retrato esculpido em mármore da Poetisa. Os calipolenses também não parecem ter noção do valor do artista que esculpiu com tanta mestria a sua grande poetisa.
A informação está sempre na monumental coleção das Obras Completas de Florbela Espanca editadas por Ruy Guedes, referência obrigatória para qualquer estudioso (até para alguns investigadores que dela se servem abundantemente, mas negando o valor “académico” da edição crítica, raramente a citando – como é da praxis académica!).
Encontramos a informação necessária na página 255 de Florbela Espanca: Fotobiografia, Lisboa: Dom Quixote / Rio de Janeiro: Livr. Paisagem, 1985, vol. VII de “Obras completas de Florbela Espanca”– org. de Rui Guedes.
Motivados pela descoberta e para que a informação sobre a iconografia de Florbela Espanca fique mais rigorosa, registamos também o retrato esculpido de Florbela por Diogo de Macedo, em Évora, e o recente monumento a Florbela no Parque dos Poetas, em Oeiras, por Francisco Simões.
Boa visita!

1 – Monumento a Florbela Espanca, em Évora (1949)


Busto de Diogo de Macedo 

O quê? (tipo de arte)
Escultura
Descrição:
Monumento a Florbela: Busto.
“Lisboa, 1931 – gesso – Forma em tasselos, 1960 (o gesso original foi destruído pelo autor) – 62
Busto executado em mármore para o monumento projectado em Évora, com o pedestal de Jorge Segurado, inaugurado no Passeio Público, em Évora, em 18-VI-1949” (in catálogo, 1960)
Autoria:
Diogo de Macedo (1889-1959)
Data de criação:
1931
Data de inauguraçãoo:
18.06.1949
Localização:
Obra em lugar público:
Passeio Público, em Évora, Alentejo
Observações:
N.º da peça no catálogo: 46
Referência principal*:
Diogo de Macedo – catálogo, 1960.
 
Busto em gesso

* Referências


  • Diogo de Macedo – catálogo da exposição “organizada pela viúva do artista com a assistência e colaboração do Dr. João Couto, dos artistas Abel Manta, Barata Feyo, Bernardo Marques, António Duarte, e dos respetivos Serviços do S. N. I. – Palácio Foz, Lisboa, 1960.”. – Com fotografias de Mário Novais [1899-1967]. Lisboa: Edições SNI, 1960.


2 – Monumento a Florbela Espanca, em Vila Viçosa (1964)


Busto de Raul Xavier
Pedestal do Arquiteto Raul David

O quê? (tipo de arte)
Escultura
Descrição:
Monumento a Florbela: Busto.
Busto executado em mármore para o monumento projetado em Vila Viçosa, com o plinto do arquiteto Raul David, inaugurado no jardim de Vila Viçosa, em maio de 1964.
O busto feito em bronze, em 1955 , foi oferecido pelo artista ao Museu Amadeo de Souza Cardoso, em Amarante.
Autoria:
Raul Maria Xavier (Macau, 23.03.1894-Lisboa, 1.01.1964)
Data de criação:

Data de inauguraçãoo:
17.05.1964
(no 70.º aniversário do nascimento de Florbela)
Localização:
Obra em lugar público:


Originalmente no jardim designado Mata Municipal de Vila Viçosa, junto ao coreto - ver imagem à esquerda   (Cf. fotografia na Fotobiografia), em Vila Viçosa, Alentejo.

Atualmente, na Avenida Bento de Jesus Caraça, junto ao Cine-Teatro Florbela Espanca, em Vila Viçosa.
Observações:

Referência principal*:
Fotobiografia.


Busto em bronze

* Referências

  • Raúl Xavier, in site do Museu Amadeo de Souza Cardoso.
  • “Raul Xavier”, verbete in Wikipédia.
  • “Florbela Espanca” – busto em broze e soneto “Vaidade”, in blogue Sarrabiscos, da autoria de Graça Pimentel [gracapimentel@netcabo.pt], 15.04.2014.


3 - Monumento a Florbela Espanca, em Oeiras (2003)


Escultura de Franscisco Simões
Imagem da Internet (Google imagens)

O quê? (tipo de arte)
Escultura
Descrição:
Monumento a Florbela.
Integrada num conjunto de esculturas no Parque dos Poetas, em Oeiras.

2003 –  início, com monumentos a Eugénio de Andrade, Mário de Sá Carneiro, Sophia de Mello Breyner, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, José Gomes Ferreira, Natália Correia, Miguel Torga, Teixeira de Pascoaes, Alexandre O’neil e Ramos Rosa;
2004 – conclusão, com os monumentos a David 
Mourão-Ferreira, Manuel Alegre, António Gedeão, 
Carlos de Oliveira, Camilo Pessanha, Jorge de Sena, 
José Régio, Vitorino Nemésio e Ruy Belo. (in site do artista Francisco Simões )
Autoria:
Francisco Simões (1946-)
Data de criação:

Data de inauguraçãoo:
7.06.2003
Localização:
Obra em lugar público:
Parque dos Poetas, em Oeiras, distrito de Lisboa
Observações:

Referência principal*:
Site do artista.

Referências

Francisco Simões – site oficial do artista [http://franciscosimoes.net/pagina-inicial/].


O retrato de Florbela esculpido em mármore, em Vila Viçosa.

07/03/2016

Florbela Espanca é tema do espetáculo de dança da autoria da Espaço Clássico São Paulo


Máscaras da Alma - Vida e Obra de Florbela Espanca

Ballet coreografado e apresentado pelo Espaço Clássico São Paulo.
16 de abril de 2016, às 20h30
Na Cia do Topo, Santana, São Paulo / Brasil


É um ballet inspirado na vida e obra da poetisa Florbela Espanca [1894-1930] coreografado e apresentado pelo Espaço Clássico São Paulo (ECSP).

Direção: Hellen Caras
Coreografia: Andressa Malerba, Edson Suckow, Hellen Caras, Wilson Guilherme
Elenco: Andressa Malerba, Edson Suckow, Hellen Caras, Victoria Catalano, Wilson Guilherme
Colaboração: Jéssica Marchetti e Pedro Bonzanini

Data: 16.04.2016
Horário: 20h30
Local:     CIA do Topo – Teatro e Centro Cultural
                  Rua Soror Angélica, 768,
                  CEP 02452-060, Santana, São Paulo-SP
Bilhete: R$ 20,00

Para saber mais:

  • Espaço Clássico São Paulo, perfil no Facebook.
  • E-mail: espacoclassicosaopaulo@gmail.com
  • Versão anterior do espetáculo: Sábado, 22 de agosto de 2015, às 21:00 em UTC-03. Informação no Facebook, 4.08.2015:  “ A cia, que conta com 14 anos de existência, neste delicado espetáculo com coreografia baseada na vida e na obra da poetisa portuguesa Florbela Espanca, tenta, através da utilização de dez textos coreógrafados da poetisa, retratar três fases da vida da Flobera Espanca e a importância de seu Irmão Apeles em sua vida. / A narrativa passa pela Florbela Espanca Jovem, Florbela Espanca e seus romances e por fim Florbela Espanca e suas crises neuróticas que a levou ao suicídio. / Coreografia coletiva da cia. / Com colagem musical que inclui concerto para violino de Philip Glass. / Estréia: 22 de agosto de 2015. / Teatro Cia Do Topo - Rua Soror Angélica, 768 –Santana.”






30/08/2015

"Meu Portugal", poema constituído por cinco quadras de Florbela Espanca


Fotografia de Eduardo Luís Godinho
no Facebook, 14.08.2015




MEU PORTUGAL


Meu Portugal querido, minha terra
De risos e quimeras e canções
Tens dentro em ti, esse teu peito encerra,
Tudo que faz bater os corações!

Tens o fado. A canção triste e bendita
Que todos cantam pela vida fora;
O fado que dá vida e que palpita
Na calma da guitarra aonde mora!

Tu tens também a embriaguez suave
Dos campos, da paisagem ao sol poente,
E esse sol é como um canto d’ave
Que expira à beira-mar, suavemente…

Tu tens, ó pátria minha, as raparigas
Mais frescas, mais gentis do orbe imenso,
Tens os beijos, os risos, as cantigas
De seus lábios de sangue!… Às vezes, penso

Que tu és, pátria minha, branca fada
Boa e linda que Deus sonhou um dia,
Para lançar no mundo, ó pátria amada
A beleza eterna, a arte, a poesia!…


FLORBELA ESPANCA


Fonte: Caderno de manuscritos de Florbela, intitulado "Trocando Olhares", do espólio na Biblioteca Nacional de Portugal; reprod. em GUEDES, Rui (recolha, leitura e notas) – Poesia: 1903-1917 / Florbela Espanca, de “Obras Completas de Florbela Espanca”, vol. 1, Lisboa: Dom Quixote, 1985, pp. 189-191 [aí optou-se por grafar "pátria" com minúscula, o que não corresponde ao manuscrito, que cotejei]; e PEREIRA, José Carlos Seabra (org. e notas) – Obra Poética, volume II, de "Obras de Florbela Espanca". Lisboa: Editorial Presença, 2010, p. 81.